Tribe Royal: Published in Publico Magazine Portugal (10/04/2019)

Go To: O passo “planetário” do Westway Lab para uma música sem fronteiras

English translation available at : publico.pt

Written By: André Vieira

“Esta banda é muito boa, não tivesse o azar de ter nascido em Portugal e já tinha chegado mais longe.” Durante décadas esta ideia feita e generalizada foi inimiga da música feita em solo nacional, que, salvo raras excepções, esbarrava com um muro logo ali na fronteira com Espanha. Atravessar o Atlântico, nem com os nossos irmãos de língua no Brasil, era tarefa simples. De resto, este continua a não ser um mercado fácil de furar para os músicos portugueses, que dali bebem mais influências do que as que passam. 

Nos últimos anos, contra fronteiras geográficas ou linguísticas, muitas vezes estas últimas apontadas como o maior empecilho, houve quem provasse que a indústria — a nova versão desta indústria pós-Internet — é realmente cada vez mais global e são já muitos os exemplos de bandas que não se deixaram ficar pelos limites deste país periférico, no que aos centros de influência diz respeito, e furaram Europa e mundo fora, a maior parte de forma ainda tímida, alguns, caso do híbrido Buraka Som Sistema, tornando-se fenómenos de culto. 

É exactamente para que o percurso até aos centros de decisão para chegar à internacionalização se torne mais curto que o Westway Lab nasceu em Guimarães, em 2014. A meta definida era tornarem-se tubo de ensaio de novos projectos, palco e montra virada para os agentes internacionais. É seguindo esta lógica tridimensional que o festival regressa esta quarta-feira para até 13 de Abril se pensar, criar e ouvir música a uma escala global. 

Se noutros anos o raio de actuação estava quase circunscrito ao espaço europeu, pela primeira vez, os responsáveis do evento, arriscam ter uma perspectiva “planetária”, ao virarem o foco para o Canadá, que leva a Guimarães cinco bandas. À margem da comitiva canadiana, reservou-se a Jacco Garden as honras de abrir a secção de concertos do evento. Esta quarta-feira, o holandês, que passa na quinta-feira pelo Tremor, nos Açores, e dia 13 passa por Lisboa (Teatro Ibérico), apresenta o novo Somnium, terceiro álbum de estúdio, que no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) — quartel-general do Westway Lab — será tocado com todos em cima do palco — músico e público. 

Do programa fazem parte 29 concertos, 14 conferências, 2 keynotes, 2 workshops, 3 sessões networking, 20 export offices europeus, 2 talks e 4 residências artísticas. Desde o início do mês que quatro parelhas musicais compostas por músicos nacionais e internacionais já trabalham no Centro de Criação do Candoso, onde estão a morar temporariamente exclusivamente para criar música que será apresentada em showcases que decorrem no Café-concerto do CCVF. 

Alguns dos músicos internacionais que ali estão fazem parte da comitiva canadiana que na sexta-feira sobe aos diferentes palcos do CCVF, em sessão dedicada a este país. Passam por lá as cantautoras Sarah MacDougall e Megan Nash, The East Pointers, Tribe Royal e a dupla Les Deuxluxes. 

Westway Lab Festival transforma Guimarães na “cidade da música” 

Espicaçar à colaboração 

O director artístico do festival, Rui Torrinha, diz ao PÚBLICO que esta parceria transatlântica nasce do contacto realizado com a CIMA — Canadian Independent Music Association, numa tentativa de “espicaçar os dois países a colaborarem mais”. Depois de no ano passado o país em foco ter sido a Áustria, este ano, pela primeira vez, dá-se destaque a um país fora das redes europeias ETEP e INES, das quais vários festivais fazem parte.

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